A Latada de Crystal Fighters

                Os Crystal Fighters passaram pela Latada de Coimbra e com eles vem a minha estreia no letra-r (deixo as apresentações para depois, visto que já venho um pouco tarde). A 16 de outubro juntaram-se, numa tenda montada ao lado do Mondego, estudantes de Coimbra e de muitas outras Universidades do país (UP, UA, UM, UTAD, era possível encontrar gente de todo o lado), para ver a banda da alegria inesgotável.

                O início da noite, pouco concorrido, foi marcado pela atuação de uma banda da terra, os The Walks. Apesar das poucas pessoas presentes, estes conseguiram fazer com que elas batessem o pé, enquanto um vocalista que fazia lembrar a muitos o Mick Jagger (não fui o único a reparar nisso) tentava puxar por um público que estava lá para algo completamente diferente. E esse algo surgiu, depois de uns longos minutos de preparação do magnífico palco.
                Depois de entrarem, um a um, no palco, ouvem-se os acordes iniciais de Follow e dá-se o início da festa. De um momento para o outro o público é contagiado pela energia que se vive em palco e começa tudo a saltar (a banda, o público e até um segurança que está a bater o pé). Segue-se LA Calling, o público ainda se encontra excitado, os saltos não param e Sebastian Pringle, o elemento que mais se destaca no palco, graças ao seu traje peripatético, abana as ancas e pede ainda mais saltos. Começa Separator e a guitarra estridente de Graham Dickson marca a sua presença, enquanto o seu “dono” corre de um lado para o outro do palco, puxando pelo público, e levantando um pouco o véu relativamente àquilo que é possível esperar dele durante o resto do concerto. Love Is All I Got e You & I tocam de seguida e dá-se o tão esperado cliché: “Coimbra tonight it’s just you and I”. O público e a banda mostram uma relação de simbiose, de dar e receber: o público canta em coro, a banda pede mais, o público salta, a banda rejubila de alegria.


                Bridge Of Bones é talvez a primeira música com tom de balada (um piano a tocar, uma voz a cantar suavemente) que surge no concerto e faz uma introdução perfeita para o momento que se seguiu. Surge Plage, uma das músicas mais esperadas da noite, precedida de uma das homenagens mais sentidas. Falando de amor, Graham, o guitarrista, diz-nos que nada é mais importante que o amor e pede para ser sempre dado o valor merecido ao amor que nutrimos pelos nossos amigos. Posto isto, pede a toda a gente para abraçar as pessoas que se encontravam à sua volta, quer fossem amigos ou desconhecidos, o importante era partilhar o mesmo amor. Graham e os restantes elementos da banda falam de Andrea Marongiu, o carismático baterista que faleceu no passado dia 11 de setembro, devido a doença súbita. “Esta é para ti Andrea” grita alguém ao meu lado. “Convidem os vossos amigos para irem à praia convosco”, diz Sebastian, enquanto se ouve o riff inicial de Plage, e a alegria inunda mais uma vez a tenda da Latada (porque é esse o lema da noite, o lema dos Crystal Fighters, não pode haver tristeza, é preciso haver alegria dançada).
                 Champion Sound, Are We One e Love Natural passam a correr e chega At Home, a última música antes do encore. Os CF pedem ao público um coro de “no, no, no” e “yeah, yeah, yeah” e prolongam a música durante quase 7 minutos. A banda despede-se, sai do palco e toda a gente fica a pedir mais.
                E esse mais chega. Os Crystal Fighters voltam para um encore, com uma das músicas mais esperadas da noite (música essa que me surpreendeu bastante, passando a ser das minhas favoritas). I Love London foi outro dos pontos mais altos da noite. Não havia um único braço em baixo, um único corpo que não saltasse e esbarrasse contra os que estavam à sua volta. I Love London funcionou como um choque de desfibrilador no público, reanimando toda a gente. O encore aproxima-se do fim com Wave e o concerto ia de vento em popa para um final estrondoso.


                Em ambos os braços tenho escrito SETLIST. Xtatic Truth começa, Sebastian Pringle olha para mim, eu ergo os braços e começo a apontar para as palavras. Ele baixa-se, ri-se, faz um coração com as mãos, aponta para mim e, pelo que percebo, diz “VA A TI!”. Levanta-se, pede-me para dançar e depois pede o mesmo ao resto do público (confesso que me senti importante e, como é óbvio, dancei porque, sejamos honestos, não há como não dançar com Crystal Fighters). O concerto acaba com um coro de aplausos, gritos e assobios, a promessa de voltarem a Portugal num futuro próximo (visto estarem a trabalhar num novo álbum, que irá suceder a “Cave Rave”) e Graham a correr pela frontline para cumprimentar as pessoas, depois de ter descido dos braços do público (sim, Graham tocou a última música a fazer crowd surfing). A setlist vem parar às minhas mãos (foto ao lado) e relembra-me um dos melhores concertos a que já assisti na minha vida. E foi o letra-r em Crystal Fighters. E foram os Crystal Fighters em Coimbra. 


Deixo também ficar aqui uma playlist no Spotify com o alinhamento do concerto. Basta carregar em playlist e vão lá ter. Maravilhas da tecnologia.

Sem comentários:

Enviar um comentário